Por que entender não basta

O que essa seção veio resolver, e por que ela fecha o livro

O começo de uma trilha de terra que entra numa mata, visto de cima e um pouco de lado. Na beira da trilha há uma placa de madeira sem nenhuma palavra, uma mochila encostada num tronco e um cantil. Na terra fofa do começo da trilha está marcada uma única pegada de bota, a primeira. A pegada é desenhada em verde, o único elemento colorido da imagem. Mais adiante, a trilha some entre as árvores. Não há ninguém e não há nenhuma palavra escrita na imagem.O começo de uma trilha de terra que entra numa mata, visto de cima e um pouco de lado. Na beira da trilha há uma placa de madeira sem nenhuma palavra, uma mochila encostada num tronco e um cantil. Na terra fofa do começo da trilha está marcada uma única pegada de bota, a primeira. A pegada é desenhada em verde, o único elemento colorido da imagem. Mais adiante, a trilha some entre as árvores. Não há ninguém e não há nenhuma palavra escrita na imagem.
O caminho inteiro assusta. A primeira pegada cabe nesta semana.

A seção anterior terminou com a Dona Nair entrando pelo portão da rua de baixo, e com o Seu Ademir esperando o portão fechar para ir embora. O Seu Ademir não parou em entender que a escadaria pesava para a Dona Nair, e deu a volta pelo pé do morro. Esta seção, a última do livro, fala desse passo que vem depois de entender. Até aqui, o livro mostrou como pensar, como trabalhar com outras pessoas, onde o seu trabalho faz diferença, como ficar visível e como usar a inteligência artificial sem entregar o raciocínio. Falta a pergunta que vem depois de entender tudo isso: o que você faz amanhã de manhã?

Agora eu entendi, e vou começar quando tiver tempo.
Primeiro eu monto um plano perfeito, depois eu começo.
Vou fazer tudo de uma vez: curso, portfólio, perfil e currículo.
Se o plano não der certo, é porque eu não tenho jeito para isso.

As quatro frases tratam o plano como um grande começo, que precisa ser perfeito e completo, ou que nunca acontece. Quem pensa assim fica esperando o momento certo, ou gasta toda a energia na primeira semana e para na segunda. O que faz uma pessoa sair do lugar é saber por que quer chegar, e qual é o próximo passo pequeno que dá para dar nesta semana.

Entender muda o que você pensa, e só o passo dado muda o lugar onde você está.

E faz sentido esperar. Depois de oito seções e sessenta e nove capítulos, o tamanho do caminho assusta, e a pessoa quer ter certeza antes de gastar o pouco tempo que tem. Só que a certeza quase nunca chega antes do primeiro passo. A certeza chega pelo caminho, quando a pessoa vê o que funcionou e o que precisou mudar.

Quem sabe o porquê muda o caminho sem desistir do destino, mesmo quando uma árvore caída fecha a trilha no meio do caminho.

Esperar o plano perfeito
  • Começar só quando tudo estiver pronto
  • Fazer tudo de uma vez na primeira semana
  • Desistir quando o caminho muda
Andar com um plano que muda
  • Saber onde você está e por que quer ir
  • Dar um passo pequeno nesta semana
  • Mudar o caminho e manter o porquê

Antes da próxima etapa, tenha clareza do porquê.

Esta seção tem sete capítulos e fecha o livro. O primeiro capítulo conta a história de um rapaz que estudou motores por dois anos e perdeu a vaga numa oficina porque achou que lixar carroceria era perda de tempo. O rapaz tinha estudado sem mapa e sem bússola.

Os outros seis capítulos acompanham um sábado de trilha num parque perto da cidade, com o Seu Benedito, guia do parque há vinte anos, e um grupo de iniciantes a caminho de uma cachoeira. Os seis capítulos também acompanham a Lia, um ano depois de contratada, montando o plano do segundo ano de trabalho. A Lia descobre onde está, decide por que quer o próximo passo, planeja o primeiro trecho, aprende a fazer as perguntas certas, refaz o plano quando o caminho muda e volta à biblioteca do bairro para ensinar quem está começando.

Dar o próximo passo sabendo o porquê não depende de saber programar, e por isso também se aprende antes do código.