A pergunta na bifurcação
Formular as perguntas certas: pedir o critério, e não só a resposta


O capítulo da ponte terminou com o grupo atravessando o riacho vinte e cinco minutos atrasado, e sabendo disso. Uma hora depois, no bambuzal, a trilha se dividia em dois caminhos, e cada pessoa do grupo fez uma pergunta diferente ao Seu Benedito. Este capítulo mostra a diferença entre a pergunta que pede a resposta e a pergunta que ensina o caminho.
Você trava numa tarefa e pergunta a alguém como se faz. A pessoa responde, você resolve, e na semana seguinte você trava no mesmo lugar. Ou você entrega e pergunta se está bom, a pessoa diz que está, e você continua sem saber o que faz um trabalho ficar bom.
A pergunta pela resposta resolve o problema de hoje, e a pergunta pelo critério ensina você a resolver o próximo sozinho.
Três perguntas no bambuzal
No bambuzal da imagem que abre este capítulo, a trilha se divide em dois caminhos. No tronco de uma árvore, na beira do caminho da direita, há uma marca de tinta em forma de faixa, em verde. O guia de chapéu aponta para a marca, e uma mulher, com uma menina ao lado, olha para onde o guia aponta.
O guia é o Seu Benedito, e o bambuzal é o segundo marco, a quatro quilômetros da primeira parada. Na bifurcação, o grupo para, e três pessoas fazem três perguntas. O Cláudio pergunta quanto falta. O casal de aposentados pergunta se o caminho é pela direita. A Noemi pergunta como o Seu Benedito sabe qual dos dois é o caminho da cachoeira.
Pare aqui um segundo e responda como se você estivesse no grupo. Das três perguntas, qual ajuda você no resto da trilha, e na próxima trilha?
A marca de tinta
O Seu Benedito responde às três perguntas. Para o Cláudio, falta um quilômetro. Para o casal, o caminho é pela direita. Para a Noemi, o Seu Benedito mostra a marca de tinta no tronco. O parque pinta uma faixa nas árvores a cada cinquenta passos, numa cor para a trilha da cachoeira e em outra cor para as outras trilhas do parque.
Com a resposta da Noemi, o grupo inteiro passou a saber andar sozinho. A Noemi e a filha vão na frente, procurando a próxima faixa, e acham as duas bifurcações seguintes sem perguntar nada. A pergunta da Noemi pediu o jeito de reconhecer o caminho, e o jeito serviu para todas as bifurcações seguintes.
O Seu Benedito diz à Rute, baixinho, que a pergunta da Noemi foi a melhor pergunta do dia.
O Cláudio ganhou um número, o casal ganhou uma direção, e a Noemi ganhou o mapa da trilha inteira.
As perguntas da Lia
No primeiro ano, a Lia perguntava à Joana, depois de cada tarefa, se a tarefa estava boa. A Joana quase sempre dizia que sim. A Lia ficava aliviada e não aprendia nada sobre o que fazia uma tarefa ficar boa.
Na conversa do plano, a Lia quis saber o que precisava para ser promovida. A resposta para a pergunta da promoção seria uma lista de requisitos, e a Lia trocou a pergunta da promoção por outra pergunta: o que uma pessoa plena do time fazia que a Lia ainda não fazia. A Joana pensou e deu dois exemplos. A pessoa plena avisava o risco de uma tarefa antes de alguém perguntar. A estimativa de uma pessoa plena trazia as partes da tarefa e dizia o que podia sair se o prazo apertasse.
Como a Joana sabe que está bom
Depois, a Lia perguntou como a Joana decidia se uma estimativa estava boa. A Joana disse que olhava se cada parte tinha menos de três dias, e se a estimativa dizia o que ainda era dúvida. A pergunta pelo critério ensina a reconhecer a resposta certa sozinho, como a faixa de tinta ensina a reconhecer a trilha.
A Lia trocou "está bom?" por "como você sabe que está bom?", e passou a conferir as próprias estimativas.
Como fazer a pergunta certa
Quatro perguntas que transformam a pergunta pela resposta numa pergunta pelo caminho
As quatro perguntas levam um minuto e poupam a mesma pergunta feita três semanas seguidas.
O Cláudio queria um número. A Noemi queria o jeito de saber sozinha. As duas perguntas são válidas, e só a segunda serve para a próxima bifurcação.
Diga o que você já tentou e onde parou. A pessoa experiente responde melhor quando sabe de onde você está saindo. Na conversa sobre a cobrança, a Lia disse que tinha entendido o desconto antes do imposto, e o colega corrigiu só esse pedaço.
Só a Joana sabia o critério que a Joana usava para decidir se uma estimativa estava boa. Pergunte pelo que só aquela pessoa sabe, e não pelo que está escrito em qualquer lugar.
Repita a resposta com as suas palavras, ou use logo depois. A Lia conferiu a estimativa seguinte com o critério da Joana na mesma semana.
Quem pergunta pelo critério precisa perguntar menos com o tempo, e não mais.
práticaLevar para a entrevista
Três perguntas sobre fazer perguntas.abrir
Nas três perguntas abaixo existe a mesma tentação: dizer que você pergunta pouco, para parecer independente. Só que nenhuma das três perguntas está medindo quantas perguntas você faz. As três estão medindo se as suas perguntas ensinam você a andar sozinho.
“Qual foi a melhor pergunta que você já fez no trabalho?”
A pergunta parece curiosa, e mede se você sabe a diferença entre pedir a resposta e pedir o caminho.
- A pergunta, com as palavras que você usou
- O que a resposta ensinou
- Onde você usou o que aprendeu
- Não lembrar de nenhuma pergunta
- Uma pergunta para impressionar o chefe
- Uma pergunta que só trouxe a resposta do dia
“Perguntei à minha líder como ela decidia se uma estimativa estava boa. A minha líder disse que olhava se cada parte tinha menos de três dias e se a estimativa dizia o que ainda era dúvida. Na semana seguinte, eu dividi a minha estimativa da remarcação em oito partes, e vi que duas tinham dúvida antes de começar.”
“Eu pergunto pouco. Prefiro resolver sozinha.”
Quem pergunta pouco também aprende só com os próprios erros, e quem entrevista ouve uma pessoa que vai demorar a perguntar quando precisar.
“O que você pergunta ao seu líder nas conversas de acompanhamento?”
Esta pergunta mede se você usa a conversa com o líder para aprender o critério, ou só para dar notícia.
- Uma pergunta pelo critério do líder
- Uma pergunta sobre o que o próximo passo pede
- O que você fez com a resposta
- Dizer que só conta o que fez
- Perguntar só se está tudo bem
- Dizer que não tem essas conversas e não sente falta
“Em vez de perguntar o que faltava para a promoção, perguntei à minha líder o que uma pessoa plena fazia que eu ainda não fazia. A líder disse que a pessoa plena avisa o risco antes de alguém perguntar. Em junho, antes de a líder perguntar, eu avisei que a remarcação dependia do time de mensagens, que ia estar de férias em julho.”
“Eu pergunto se ela está satisfeita com o meu trabalho.”
A resposta de sim ou não não ensina nada. Quem entrevista entende que as conversas de acompanhamento não mudam o seu trabalho.
“Como você confere se entendeu uma explicação?”
A pergunta procura saber se você fecha a conversa sabendo, ou achando que sabe.
- Que você repete com as suas palavras
- Que você usa o que aprendeu logo depois
- Que você volta quando a explicação não fecha
- Que você não finge que entendeu
- Que você respeita o tempo de quem explicou
- Que você diz com clareza o que não entendeu
“Eu repito com as minhas palavras antes de sair. Quando um colega me explicou como a cobrança calcula o desconto das clínicas, eu disse que tinha entendido que o desconto vinha antes do imposto. O colega disse que o desconto vinha depois do imposto. Se eu não tivesse repetido, eu teria escrito o código ao contrário.”
“Eu digo que entendi, e se precisar eu pergunto de novo.”
Quem só diz que entendeu descobre o mal-entendido no código pronto, e a pergunta de volta, na hora, custava um minuto.
práticaLevar para o trabalho
Três situações em que a pergunta certa ensina o caminho.abrir
Você só pergunta “está bom?” depois de entregar
Essa situação é a pergunta do casal na bifurcação, que dá a direção e não ensina a trilha. O erro comum é perguntar só no fim, quando já não dá para mudar muito.
- Perguntar antes como o líder decide se está bom
- Conferir o seu trabalho com o critério antes de entregar
- Dizer, na entrega, o que você conferiu
- Perguntar só no fim
- Aceitar o sim sem saber por quê
- Esperar o líder apontar tudo
Antes de começar: “Joana, como você vai olhar esta estimativa? O que faz uma estimativa estar boa para você?” Na entrega: “Dividi em oito partes de menos de três dias, e marquei as duas que ainda têm dúvida.”
A pergunta antes vira o critério da entrega, e a Joana confere em minutos o que levaria uma conversa inteira.
O líder deu uma explicação que você não entendeu
Essa situação dá vergonha, porque o líder parece ter sido claro. O erro comum é dizer que entendeu e tentar adivinhar depois.
- Repetir o que você entendeu, com as suas palavras
- Dizer em que ponto a explicação parou de fazer sentido
- Pedir um exemplo
- Dizer que entendeu
- Pedir que o líder explique tudo de novo
- Procurar a resposta escondido
“Deixa eu ver se entendi: o desconto entra antes do imposto, certo? Eu me perdi na parte das clínicas com contrato antigo. Você me dá um exemplo de uma clínica dessas?”
A repetição mostra exatamente onde está o mal-entendido, e o líder explica só o pedaço que faltou.
Você tem dez minutos com alguém muito mais experiente
Essa situação é rara e passa rápido. O erro comum é chegar sem pergunta e gastar os dez minutos em conversa solta.
- Levar três perguntas escritas
- Começar pela pergunta pelo critério
- Anotar a resposta na hora
- Chegar sem pergunta
- Perguntar o que está em qualquer curso
- Pedir uma vaga no lugar da pergunta
“Obrigada pelos dez minutos. Trouxe uma pergunta: quando você olha o plano de uma pessoa nova, como você sabe se ela vai conseguir? Eu quero conferir o meu plano com o seu jeito de olhar.”
Dez minutos com uma pergunta pelo critério valem uma tarde de conversa solta.
O que muda daqui em diante
A Noemi e a filha seguiram na frente, procurando as faixas de tinta, e o grupo nem precisou parar na bifurcação seguinte.