Por que a inteligência artificial não pensa por você
O que essa seção veio resolver, e por que ela vem depois de você aprender a ficar visível


A seção anterior terminou com a Lia entrando na sala de uma entrevista, depois de meses de procura. Três semanas depois, a Lia foi contratada pelo time de agendamento da empresa do Vagner. No primeiro dia de trabalho, junto com o computador, a Lia recebeu o acesso a um assistente de inteligência artificial que escreve código. Quem começa a programar hoje começa ao lado de uma ferramenta assim, e uma pergunta fica no ar: o que sobra para quem está começando?
As quatro frases tratam a inteligência artificial como alguém que pensa no lugar da pessoa: um concorrente, uma trapaça ou uma muleta. A ferramenta faz muito bem uma parte do trabalho, que é responder como fazer uma coisa que alguém já decidiu fazer. A decisão sobre o que fazer, para quem e por quê continua com uma pessoa.
A inteligência artificial responde como fazer, e quem decide o que fazer continua sendo você.
E faz sentido achar que a ferramenta pensa. Você escreve uma pergunta em português, e a resposta chega em segundos, bem escrita, com o código pronto e uma explicação educada. A resposta tem cara de quem entendeu. Só que a ferramenta responde com a mesma confiança quando acerta e quando erra, e quem não sabe direito o que pediu não percebe a diferença.
Quem sabe o que precisa existir usa a ferramenta para chegar mais rápido. A pessoa que pediu sem saber também recebe a resposta em segundos, e só descobre que chegou ao lugar errado quando alguém reclama.
- Pedir sem dizer para quem é e para quê
- Aceitar a resposta porque ela veio bem escrita
- Deixar a ferramenta decidir o que fazer
- Dizer à ferramenta aonde você quer chegar e por quê
- Conferir a resposta antes de entregar
- Responder pelo que você entrega, com ferramenta ou sem
Antes da inteligência artificial, vem a inteligência humana.
Esta seção tem sete capítulos. O primeiro pergunta se você iria de avião ou de navio para a Europa, e mostra que dá para escolher a solução certa sem saber construir nenhum dos dois.
Os outros seis capítulos andam no táxi do Seu Ademir, que dirige há trinta e um anos na mesma cidade e usa o GPS do celular há seis anos. Os seis capítulos também acompanham a Lia nos primeiros meses de trabalho com a ferramenta. A Lia aprende a pedir com contexto, a conferir o que a ferramenta entrega, a continuar aprendendo, a separar o que não se cola na ferramenta, a responder pelo que vai ao ar e a lembrar da pessoa do outro lado do programa.
Saber o que precisa existir antes de pedir à ferramenta não depende de saber programar, e por isso também se aprende antes do código.