Por que a inteligência artificial não pensa por você

O que essa seção veio resolver, e por que ela vem depois de você aprender a ficar visível

Um mapa de cidade, de papel, aberto sobre uma mesa de madeira, visto de cima. Em cima do mapa, um celular mostra na tela uma rota desenhada entre ruas. Ao lado do celular, a mão de uma pessoa segura um lápis e acaba de marcar um X num ponto do mapa de papel. O X é desenhado em verde, o único elemento colorido da imagem. Na mesa há também uma xícara e um molho de chaves. Não há nenhuma palavra escrita na imagem.Um mapa de cidade, de papel, aberto sobre uma mesa de madeira, visto de cima. Em cima do mapa, um celular mostra na tela uma rota desenhada entre ruas. Ao lado do celular, a mão de uma pessoa segura um lápis e acaba de marcar um X num ponto do mapa de papel. O X é desenhado em verde, o único elemento colorido da imagem. Na mesa há também uma xícara e um molho de chaves. Não há nenhuma palavra escrita na imagem.
O celular traça qualquer caminho depois que alguém marca no mapa aonde quer chegar.

A seção anterior terminou com a Lia entrando na sala de uma entrevista, depois de meses de procura. Três semanas depois, a Lia foi contratada pelo time de agendamento da empresa do Vagner. No primeiro dia de trabalho, junto com o computador, a Lia recebeu o acesso a um assistente de inteligência artificial que escreve código. Quem começa a programar hoje começa ao lado de uma ferramenta assim, e uma pergunta fica no ar: o que sobra para quem está começando?

Se a inteligência artificial programa, para que eu vou aprender a programar?
Quem usa a ferramenta está trapaceando.
Eu peço tudo para a ferramenta, e ninguém percebe que eu não sei.
A ferramenta sabe mais do que eu, então a ferramenta decide melhor.

As quatro frases tratam a inteligência artificial como alguém que pensa no lugar da pessoa: um concorrente, uma trapaça ou uma muleta. A ferramenta faz muito bem uma parte do trabalho, que é responder como fazer uma coisa que alguém já decidiu fazer. A decisão sobre o que fazer, para quem e por quê continua com uma pessoa.

A inteligência artificial responde como fazer, e quem decide o que fazer continua sendo você.

E faz sentido achar que a ferramenta pensa. Você escreve uma pergunta em português, e a resposta chega em segundos, bem escrita, com o código pronto e uma explicação educada. A resposta tem cara de quem entendeu. Só que a ferramenta responde com a mesma confiança quando acerta e quando erra, e quem não sabe direito o que pediu não percebe a diferença.

Quem sabe o que precisa existir usa a ferramenta para chegar mais rápido. A pessoa que pediu sem saber também recebe a resposta em segundos, e só descobre que chegou ao lugar errado quando alguém reclama.

Entregar o raciocínio à ferramenta
  • Pedir sem dizer para quem é e para quê
  • Aceitar a resposta porque ela veio bem escrita
  • Deixar a ferramenta decidir o que fazer
Usar a ferramenta para pensar melhor
  • Dizer à ferramenta aonde você quer chegar e por quê
  • Conferir a resposta antes de entregar
  • Responder pelo que você entrega, com ferramenta ou sem

Antes da inteligência artificial, vem a inteligência humana.

Esta seção tem sete capítulos. O primeiro pergunta se você iria de avião ou de navio para a Europa, e mostra que dá para escolher a solução certa sem saber construir nenhum dos dois.

Os outros seis capítulos andam no táxi do Seu Ademir, que dirige há trinta e um anos na mesma cidade e usa o GPS do celular há seis anos. Os seis capítulos também acompanham a Lia nos primeiros meses de trabalho com a ferramenta. A Lia aprende a pedir com contexto, a conferir o que a ferramenta entrega, a continuar aprendendo, a separar o que não se cola na ferramenta, a responder pelo que vai ao ar e a lembrar da pessoa do outro lado do programa.

Saber o que precisa existir antes de pedir à ferramenta não depende de saber programar, e por isso também se aprende antes do código.