Por que um time de gente boa pode entregar um trabalho ruim

O que essa seção veio resolver, e por que ela vem depois de você aprender a conversar com uma pessoa de cada vez

Um arco de pedra recém-construído, sozinho, sobre um piso de lajes. O arco é feito de nove pedras talhadas iguais, encaixadas lado a lado, e se apoia em dois pilares baixos de blocos empilhados. As pedras não têm cor. As faixas de argamassa entre uma pedra e a outra, as juntas, são desenhadas em verde, e são o único elemento colorido da imagem. No chão, ao lado do pilar da direita, está deitada a forma de madeira em meio círculo que segurou as pedras durante a construção, já retirada, com um balde de argamassa e uma colher de pedreiro. Não há parede, pessoa nem nenhuma palavra escrita na imagem.Um arco de pedra recém-construído, sozinho, sobre um piso de lajes. O arco é feito de nove pedras talhadas iguais, encaixadas lado a lado, e se apoia em dois pilares baixos de blocos empilhados. As pedras não têm cor. As faixas de argamassa entre uma pedra e a outra, as juntas, são desenhadas em verde, e são o único elemento colorido da imagem. No chão, ao lado do pilar da direita, está deitada a forma de madeira em meio círculo que segurou as pedras durante a construção, já retirada, com um balde de argamassa e uma colher de pedreiro. Não há parede, pessoa nem nenhuma palavra escrita na imagem.
Nenhuma pedra do arco fica de pé sozinha. O arco fica de pé onde uma pedra encosta na outra.

A seção anterior terminou dizendo que o mercado é pequeno, e que a memória das boas atitudes é grande. Até ali, cada atitude era sua, numa conversa com uma pessoa de cada vez. Fica a pergunta do primeiro trabalho em grupo: por que um time em que cada pessoa faz bem a própria parte ainda entrega um trabalho ruim?

Eu fiz a minha parte certinho. Se deu errado, o erro foi em outro lugar.
Se eu disser que não estou dando conta, vão achar que eu não sirvo.
Não adianta dar ideia. Ninguém escuta mesmo.
Ninguém me deu esse cargo. Organizar o trabalho dos outros não é comigo.

Quem pensa assim não é egoísta. As quatro frases são de alguém que cuida bem do próprio pedaço do trabalho, e as quatro olham só para dentro desse pedaço. O que estraga o trabalho de um time quase sempre acontece no espaço entre o pedaço de uma pessoa e o pedaço da outra.

Quando um time de gente boa entrega um trabalho ruim, procure o defeito no que passa de uma pessoa para a outra.

E faz sentido acreditar que basta fazer a sua parte. Quase todo emprego começa por uma lista de tarefas que é só sua. Você é contratado para uma função e cobrado pelo que entrega, e nada nessa lista fala do colega que vai receber o seu trabalho.

Só que o cliente não recebe a sua tarefa. O cliente recebe o trabalho inteiro, com as tarefas encaixadas uma na outra, e quando uma tarefa certa não encaixa na seguinte, o cliente recebe um trabalho errado, feito por gente que acertou.

A régua da sua tarefa
  • Se a sua parte saiu sem erro
  • Quanto você entregou
  • O que estava escrito na sua lista
A régua do time
  • Se a sua parte encaixa na parte de quem vem depois
  • Se o time ficou sabendo a tempo do que mudou
  • Se alguém fez o que não estava na lista de ninguém

Antes de se destacar, aprenda a somar.

São sete capítulos, e em todos a pessoa sabe fazer o que faz: o violinista que toca sem errar uma nota e sem ouvir o maestro, o homem que prende as portas das carruagens mais rápido do que todo mundo, o remador que cansou e não avisou, a cozinha e o salão que não se falam, o estagiário com uma ideia boa dita do jeito errado, o Renato, que parou de falar porque ninguém ouvia, e o enfermeiro que organizou o plantão sem ter o cargo. Em três dessas histórias quem trava o time é o silêncio, porque um time costuma quebrar mais pelo que ninguém disse do que pelo que alguém fez de errado.

Este livro chama de sincronia o que um time bom tem. Num time em sincronia, as pessoas continuam discordando e errando, e ficam sabendo do erro a tempo de consertar. Fazer a sua parte encaixar na parte dos outros também se aprende antes do código.