Por que um time de gente boa pode entregar um trabalho ruim
O que essa seção veio resolver, e por que ela vem depois de você aprender a conversar com uma pessoa de cada vez


A seção anterior terminou dizendo que o mercado é pequeno, e que a memória das boas atitudes é grande. Até ali, cada atitude era sua, numa conversa com uma pessoa de cada vez. Fica a pergunta do primeiro trabalho em grupo: por que um time em que cada pessoa faz bem a própria parte ainda entrega um trabalho ruim?
Quem pensa assim não é egoísta. As quatro frases são de alguém que cuida bem do próprio pedaço do trabalho, e as quatro olham só para dentro desse pedaço. O que estraga o trabalho de um time quase sempre acontece no espaço entre o pedaço de uma pessoa e o pedaço da outra.
Quando um time de gente boa entrega um trabalho ruim, procure o defeito no que passa de uma pessoa para a outra.
E faz sentido acreditar que basta fazer a sua parte. Quase todo emprego começa por uma lista de tarefas que é só sua. Você é contratado para uma função e cobrado pelo que entrega, e nada nessa lista fala do colega que vai receber o seu trabalho.
Só que o cliente não recebe a sua tarefa. O cliente recebe o trabalho inteiro, com as tarefas encaixadas uma na outra, e quando uma tarefa certa não encaixa na seguinte, o cliente recebe um trabalho errado, feito por gente que acertou.
- Se a sua parte saiu sem erro
- Quanto você entregou
- O que estava escrito na sua lista
- Se a sua parte encaixa na parte de quem vem depois
- Se o time ficou sabendo a tempo do que mudou
- Se alguém fez o que não estava na lista de ninguém
Antes de se destacar, aprenda a somar.
São sete capítulos, e em todos a pessoa sabe fazer o que faz: o violinista que toca sem errar uma nota e sem ouvir o maestro, o homem que prende as portas das carruagens mais rápido do que todo mundo, o remador que cansou e não avisou, a cozinha e o salão que não se falam, o estagiário com uma ideia boa dita do jeito errado, o Renato, que parou de falar porque ninguém ouvia, e o enfermeiro que organizou o plantão sem ter o cargo. Em três dessas histórias quem trava o time é o silêncio, porque um time costuma quebrar mais pelo que ninguém disse do que pelo que alguém fez de errado.
Este livro chama de sincronia o que um time bom tem. Num time em sincronia, as pessoas continuam discordando e errando, e ficam sabendo do erro a tempo de consertar. Fazer a sua parte encaixar na parte dos outros também se aprende antes do código.